Arquivo do mês: maio 2013

ICMS – “Neurociência dá passos mais ousados”

ICMS.

Se você pensou em Imposto sobre Circulação de Mercadorias, talvez você possa ser interessante.

Se você pensou em Interfaces Cérebro-Máquina, você seguramente o é!

Vejam que notícia bacana…

Saudações,

H.

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Monkey_using_a_robotic_arm

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/4/12/neurociencia-da-passos-mais-ousados

Neurociência dá passos mais ousados

Por Carmen Nery | Para o Valor, do Rio
Valor Econômico – 12/04/2013
A neurociência evolui e já são muitas as conquistas no campo de fisiologia de órgãos e sistemas, na tentativa de integrar o cérebro humano com máquinas. Desde o início dos anos 90, o neurocientista brasileiro Miguel Angelo Laporta Nicolelis trabalha em pesquisas que, em pouco tempo, poderão resultar na recuperação de faculdades perdidas por pacientes com paralisia, como a mobilidade e a sensibilidade, por meio do uso de uma série de neuropróteses.Nicolelis conquistou uma extensa lista de títulos, além de ter sido considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo da década passada pela revista “Scientific American” e ganhador do Prêmio Pioneer 2010 do Instituto Nacional de Saúde para Pesquisas Pioneiras. Atualmente, acumula a direção do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra (IINN) – do qual é um dos fundadores – e a coordenação do Centro de Neuroengenharia e de um grupo de pesquisadores na Universidade Duke, em Durham (EUA).

A técnica das neuropróteses busca integrar o cérebro humano às máquinas nas chamadas interfaces cérebro-máquina (ICMs), cujas futuras aplicações prometem, segundo o pesquisador, avançar para além dos limites da medicina. Ela vem sendo testada nos últimos 15 anos em animais como ratos e macacos. O feito mais recente foi permitir a comunicação cérebro-cérebro entre dois animais. Essa técnica foi demonstrada em março, quando um rato, recebendo estímulos tátil e visual, tomava uma decisão (tocar em uma alavanca), enquanto outro rato – que não havia recebido nenhuma instrução diretamente – realizava a mesma tarefa a partir dos estímulos enviados pelo primeiro animal. O objetivo de ambos era o mesmo: resolver o problema e obter uma recompensa. A mesma pesquisa demonstrou também a possibilidade de colaboração entre animais a longa distância ao conectar um rato no instituto de Natal a outro, nos EUA, via internet.

Hoje, para demonstrar as possibilidades da técnica, Nicolelis trabalha no Projeto Walk Again, em que tetraplégicos poderão ter a mobilidade restaurada a partir do desenvolvimento de uma veste robótica cujas articulações são controladas pelos sinais que vêm do cérebro do paciente. A demonstração mais midiática está programada para ocorrer na abertura da Copa do Mundo de 2014, quando um jovem paraplégico brasileiro deverá dar o pontapé inicial da partida inaugural. Em meados de março, toda a equipe do projeto – que reúne pesquisadores do Brasil, Europa e EUA – esteve na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) para o início do planejamento científico da empreitada.

“As neuropróteses e a interface cérebro-máquina só foram possíveis após as descobertas que resultaram no registro da atividade de um grande número de neurônios ao mesmo tempo. Esse foi meu trabalho de pós-doc, em 1993, na Hahnemann University, da Filadélfia. Mapeamos 25, 50, 100, 300 e agora chegamos a 2 mil neurônios, que é uma das técnicas da Iniciativa Brain Map, do presidente Barack Obama. Esse método de pesquisa básica permitiu mapear as interfaces dos cérebros dos ratos”, diz Nicolelis.

“Em 2000, publicamos na “Nature” um trabalho em que dois macacos, usando interface cérebro-máquina, controlaram um braço mecânico e realizaram operações tridimensionais. Com esse trabalho, descobrimos que o que faria as interfaces funcionarem é a capacidade do cérebro de se autorreorganizar, alterando sua fisiologia para aprender coisas novas, como lidar com um braço robótico como se fosse uma extensão do corpo do animal”, descreve.

As pesquisas mais recentes vieram a partir de 2011, quando Nicolelis demonstrou que seria possível adicionar um feedback tátil de volta para o cérebro. Os animais demonstraram que perceberam a sensação tátil após o toque. No ano passado, chegou-se à marca dos 2 mil neurônios mapeados e a uma nova modalidade sensorial. Em março, foi feita a demonstração da comunicação cérebro-cérebro entre ratos em localidades diferentes. “Em 24 horas, este trabalho teve mais de 100 mil downloads.”

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“Fica vendo esses filmes de humanos, depois não dorme!”

malvadosMais uma excelente tirinha do André Dahmer (www.malvados.com.br)

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Mais solidariedade entre os trabalhadores da bola

No dia 08 de maio de 2013, o Atlético-MG venceu o São Paulo por 4×1 pelas oitavas-de-final da Taça Libertadores da América. No final do jogo, Carleto, lateral-esquerdo do São Paulo, saltou em direção à bola numa disputa com Rosinei, meia do Atlético, e, na descida, deu um soco na cara do jogador atleticano que, em seguida, revidou a agressão com um novo soco. É claro que melhor teria sido se Rosinei não revidasse a agressão, mas como é difícil julgá-lo…

O que mais me entristeceu foi o ato original de agressão. Me fez pensar em algo que o sábio Dadá Maravilha disse, certa vez, ao comentar um outro lance de agressão entre jogadores de futebol, durante o programa Alterosa Esporte. Na ocasião, Dadá lamentou o ato e disse que ficava muito triste diante de um colega de profissão que agride o outro, que coloca o sustento de alguém e de sua família em risco. Mais um golaço do Rei Dadá…

FUTEBOL - TREINO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

* O sábio Dadá Maravilha

Carleto e Rosinei trabalham num esporte que já tem os seus riscos inerentes de lesões corporais e mesmo de morte (os casos são associados a problemas cardíacos dos atletas), e que não precisa, portanto, de riscos adicionais desnecessários;  não deveria haver nenhum espaço para agressões deliberadas, desleais.

Mas, todo mundo erra, e as pessoas são maiores do que os seus erros. Nosso mundo seria um lugar um pouco menos triste ou um pouco mais alegre se Carleto ouvisse a reflexão feita por Dadá, e, envergonhado, pedisse desculpas publicamente, e também pessoalmente, ao colega Rosinei. “Lamento ter colocado a integridade física e a profissão de um irmão trabalhador em risco. Sinto muito”. Talvez Rosinei aceitasse de coração o pedido de desculpas, e, quem sabe, pedisse desculpas também a Carleto pelo revide. Talvez os trabalhadores que acompanham o futebol se inspirassem no aprendizado de Carleto…

Falta solidariedade entre os trabalhadores da bola.

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“O método padrão”, por Jorge Cunha Conrado

Reproduzo abaixo um texto muito importante, que contém críticas valiosas ao “método padrão” das aulas de Direito, escrito por um brilhante colega de graduação em Direito na UFMG e originalmente publicado no Blog Magistério Jurídico (clique aqui para acesso ao post original), em julho de 2009. Vale a pena conferir.

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M2081S-1029

O MÉTODO PADRÃO

Contribuição enviada por Jorge Cunha Conrado,
bacharel em Direito pela UFMG,
integrante da turma que se formou no 2º semestre de 2008
 

 

“Dizem também que [foi] mau estudante, ou por outra, estudante displicente, mas isso só serve para aumentá-lo na minha estima. A nossa Escola de Direito não é melhor nem pior do que o comum das escolas, de Direito ou ou não, que não dão gosto nenhum de serem freqüentadas”.

— Carlos Drummond de Andrade, em crônica sobre o poeta Ascânio Lopes, publicada em 1931.

Durante os meus cinco anos da Faculdade de Direito presenciei a repetição de uma conduta que só pode ser descrita com sinceridade como maçante. Existem vários tipos de professor e várias maneiras de ministrar aulas, mas há um método, um modus operandi mais utilizado do que outros, que, de tão escolhido pelos docentes, pode ser chamado de método padrão.

Esse método parte de dois pressupostos básicos, primeiro, o de que a única forma possível do aluno aprender a matéria ensinada é pelo contato direto com o professor, e, segundo, o de que a única forma do professor transmitir suas lições é por meio da aula expositiva.

Heidegger disse muita coisa que me parece simplesmente incomprensível ou inaceitável, mas em algo concordamos, o filósofo alemão dizia que a aula é apenas uma provocação. No método padrão a aula é tudo.

Para facilitar a explicação é interessante tratar primeiro da conduta do docente e depois da maneira como se comportam os discentes.

O professor prepara todas as suas aulas com antecedência, o que é natural e positivo, entretanto, ao organizar o curso, vale-se exclusivamente de um só manual. Isso faz com que ele se exima do trabalho hercúleo de lidar com as questões difíceis que a matéria sucita: no manual escolhido se encontram as respostas definitivas para tudo. Se o professor for o autor de um livro, garantidamente, escolherá a obra de sua lavra como aquela a ser seguida durante o semestre. As vezes, com alguma sorte, o professor escolhe um bom manual, mas o usual é a adoção de autor com maior capacidade para simplificar a matéria (o que não é coisa boa, já que o Direito nunca é simples).

A doutrina escolhida é então diluída e permeada por opiniões do mestre, para ser posteriormente apresentada em sala de aula de maneira superficial. O porque das coisas permanece um mistério, raciocínio jurídico é algo raríssimo e verdadeiras discussões são prontamente findadas com respostas evasivas ou absurdas (o professor ignora o questionamento do aluno, responde a uma pergunta que não foi formulada e continua com a aula). A isso se soma a leitura em voz alta de dispositivos da lei estudada, seguida de hermenêutica pedestre. O professor parece nunca ter cogitado a possibilidade do aluno ele mesmo ler o manual e a legislação fora do horário do curso, sendo a aula reservada para as lições e discussões sobre os pontos mais difíceis da ementa, fora as questões da ordem do dia. O método padrão passa longe disso, pressupõe serem os alunos uns pusilâmines perdidos entre as questões do Direito, incapazes de saber o que diz, exempli gratia, Caio Mário por meio da leitura de Caio Mário.

E se alguém aprendeu alguma coisa ou não é um mistério. Os procedimentos de avaliação são meros expedientes burocráticos destinados a aprovar ou reprovar alunos (alguns partidários do método padrão nunca reprovam ninguém, outros são carrascos sádicos, não há regra quanto a isso). Os trabalhos raramente são lidos, o esperado é que ninguém preste atenção no que se diz nos seminários e as provas, bem, as provas são especialmente sintomáticas. É por meio delas que fica claro que os professores que optaram pelo método padrão se enxergam como “a luz, a verdade e o caminho”. É por meio delas que se constata o inelutável império do magister dixit: quem recebe as maiores notas são aqueles com a maior capacidade de repetir o que disse o professor, incluindo todas idiossincrasias e platitudes do mestre. O sujeito que se debruça sobre várias obras diferentes, procura saber o que diz a jurisprudência do Tribunal de Justiça, do STF e do STJ é um coitado, nota bem melhor obtém aquele que estudou apenas pela cópia do caderno do aluno com maiores propensões a taquígrafo.

E fato é que a maioria dos alunos não se opõe ao método padrão, na verdade, não seria exagerado dizer que muitos o aprovam com veemência. Como certa vez disse a Professora Juliana Cordeiro acertadamente, é celebrado um pacto demediocridade. Isso se dá porque o método garante aos discentes que o validam duas coisas essenciais, a ilusão de que estão aprendendo algo (e estão, em algum nível, só que muito aquém do possível), e, a garantia de que obterão boas notas no final do semestre, já que para garantir o A basta anotar furiosamente tudo o que o professor disser durante a aula e repetir ipsis litteris na prova, quando palavras-chave acionarão a memória do caderno decorado. É quase como um reflexo condicionado, é quase pavloviano.

E, sem se darem conta disso, com o caminhar do curso, os alunos são moldados pelo método padrão: sabem exclusivamente o que foi exposto em sala de aula, da maneira como foi exposto em sala de aula, quando se põem diante de algum ponto desconhecido de uma matéria que já cursaram culpam imediatamente o professor – “Ah, mas Fulano não ensinou isso!”- se irritam com os mestres propensos a polêmicas e digressões, ficam aborrecidos com qualquer ponderação histórica ou filosófica, começam a condenar a falta de preparo dada pela faculdade ao se depararem no estágio com as dificuldades da prática, et caetera.

E assim passa o grosso do curso de Direito, com a mesma maturidade, seriedade e profundidade intelectual do Ensino Médio. Exceções à regra existem? Naturalmente, mas são exceções à regra. Um professor por semestre? No muito, no muito.

Dizem que a coisa de verdade acontece no mestrado. Eu não sei.

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Normas internacionais de direitos humanos e territórios quilombolas

Caros leitores,

Acabo de tornar disponível no blog um artigo que fiz, há alguns anos atrás, sobre a proteção dos territórios quilombolas no âmbito das normas internacionais de direitos humanos:

CLIQUE AQUI

Saudações,

H.

 

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