Arquivo do mês: julho 2015

Me matam se não trabalho (Nicolás Guillén)

 

 

Nicolás Guillén

 

 

–Me matam se não trabalho,

e se trabalho, me matam.

sempre me matam, me matam, ai,

sempre me matam.

 

Ontem vi um homem a olhar,

a olhar o sol que nascia.

Estava muito sério, o homem,

porque o homem nada via.

Ai, os cegos vivem sem ver

quando nasce o sol.

 

Ontem vi um menino brincando

de matar outro menino.

Há meninos que se parecem

com os homens trabalhando.

 

Quando crescerem, quem lhes dirá

que homens não são meninos,

que não são,

que não são,

que não são!

 

Me matam se não trabalho,

e se trabalho, me matam.

sempre me matam, me matam, ai,

sempre me matam.

 

–Nicolás Guillén (1902-1989)

Tradução: H.N.A.

 

——————————

 

–Me matan si no trabajo,

y si trabajo me matan.

Siempre me matan, me matan, ay,

siempre me matan.

 

Ayer vi a un hombre mirando,

mirando el sol que salía.

El hombre estaba muy serio

porque el hombre no veía.

Ay, los ciegos viven sin ver

cuando sale el sol.

 

Ayer vi a un niño jugando

a que mataba a otro niño.

Hay niños que se parecen

a los hombres trabajando.

¡Quién les dirá cuando crezcan

que los hombres no son niños,

que no lo son,

que no lo son,

que no lo son!

 

Me matan si no trabajo,

y si trabajo me matan.

Siempre me matan, me matan, ay,

siempre me matan.

 

–Nicolás Guillén (1902-1989)

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